Tem Como a empresa saber que já trabalhei

Ah, os profissionais de recursos humanos inescrutáveis – conhecidos como especialistas em RH, coordenadores de RH, ou apenas as “pessoas lá de cima”. Eles sabem quem tem sido malcriado ou gentil. E os funcionários brasileiros – desesperados para se manterem em seus empregos – sabem que devem ter cuidado. Pedimos a 15 profissionais de RH que nos contassem o que realmente acontece por trás das portas do Brasil corporativo. Se você usar essas dicas para se manter no emprego ou conseguir um, verá que todos esses profissionais acabam se mostrando humanos – e talentosos.

Contratação e Currículo

“Em geral, a carta de apresentação não é lida. As informações importantes estão no currículo” Daniela Ribeiro, gerente da Divisão de Engenharia da Robert Half, multinacional de recrutamento, SP

“Não faça do seu currículo um testamento. Tente mantê-lo com uma página e uma folha de referências. Se não tiver espaço para toda a informação, não reduza o tamanho da letra. Isso só irá fazer com que o empregador perca o interesse em ler.” Site net-empregos.com

“Hoje o computador lê os currículos e classifica todos os dados a partir de palavras-chave. Quanto mais o candidato disponibilizar informações corretas a respeito de si e elas coincidirem com a descrição do emprego, mais chances terá de ser chamado.” Jorge Mattos, presidente da ETALENT

A Entrevista

“Se você é um candidato e o entrevistador gosta de falar muito, entre na conversa, mostre estar em sintonia com ele. Você vai mostrar que é um ótimo ouvinte.” Daniela Ribeiro, gerente da Divisão de Engenharia da Robert Half, multinacional de recrutamento, SP

“Jamais – eu disse jamais – deprecie as empresas ou as pessoas com quem já trabalhou. Manter uma postura ética é vital par ao sucesso. Se o motivo da saída foi delicado ou espinhoso, diga apenas que saiu por possuir idéias distintas. Caso ainda esteja trabalhando, diga que quer crescer profissionalmente.” Thiago Dantas, no site blog.manager.com.br

“Celular tocar numa entrevista é fatal. Não basta colocar no modo silencioso. Tem de estar dês-li-ga-do!” Edson Rodriguez, em Conseguindo resultados através de pessoas

“Quando o entrevistador chegar, levante-se, olhe diretamente nos olhos dele e o cumprimente com um firme aperto de mão. Entrevistadores odeiam apertos de mão ‘moles’ e fracos. Muitos candidatos são excluídos nesse momento.” Roberto Caldeira

“É péssimo chegar a uma entrevista e mostra desconhecimento sobre a empresa. Demonstra descaso. Eu já desconsiderei vários candidatos por conta disso.” Jorge Matos

“Se foi demitido, só conte se for perguntado. Diga apenas que foi uma reformulação. Eu não vou ligar para o RH. E quando me ligam, dificilmente digo que o empregado faltava. É muito difícil chegarem as referências.” Jaqueline Silveira Mascarenhas

“Saiba como pronunciar um nome e não troque o nome do entrevistador. Nosso nome é o que soa melhor aos nossos ouvidos.” Daniella Ribeiro

“Dê respostas curtas. Um minuto cada uma, no máximo. Se o entrevistador quiser saber mais, vai perguntar. Muita gente se perde quando o entrevistador diz: ‘Fale um pouco sobre si mesmo.’ E o candidato começa pelo dia em que mãe engravidou.” Max Gehringer, em Emprego de A a Z

“É preciso conhecer a cultura da empresa. Se ela for formal, vista-se dessa maneira e trate o entrevistador com formalidade. Mas se for informal, tente demonstrar descontração. É sempre bom se preparar, ver o site da empresa, ver se conhece alguém que trabalha lá e descobrir o jeitão de quem vai entrevistar você.” Silvio Celestino, sócio da Alliance Coaching

“Se você não se dava bem com seu chefe, não dê o telefone dele como referência. Em vez disso, dê o telefone de um colega de trabalho. Não faça inimigos ao sair, deixe as portas sempre abertas.” Edson Rodriguez

As perguntas favoritas

O pessoal de RH deixou de lado perguntas como “qual o seu ponto fraco?”. Hoje, preferem indagações com base no comportamento e lhe pedem para descrever como você lida com situações específicas. Eis algumas das perguntas favoritas:

Por que devo contratar você; como você pode contribuir para a empresa?

Onde você se vê daqui a cinco anos caso venha a trabalhar aqui?

Como construiu sua trajetória profissional e que resultados alcançou?

Qual a sua relação com o dinheiro?

Conte uma experiência em que teve de liderar um grupo de pessoas.

De quais atividades de aperfeiçoamento você participou, fora do local de trabalho, ao longo do último ano?

Conte uma negociação (ou tarefa) complexa que tenha feito.

Por que você fez diferença na empresa onde trabalhou?

Você trabalha bem sob pressão?

Tente me vender este copo.

Você poderia me gerenciar?

Histórias Horrorosas

“No meio da entrevista, o celular do candidato tocou. O candidato parou de falar e olhou para o entrevistador. E o entrevistador olhou para ele. E o celular ali, tocando. Bastava desligar o celular. Mas o candidato, como que impelido por uma força sobrenatural e fora de seu controle, atendeu a ligação, e perdeu a vaga.” Max Gehringer, em Emprego de A a Z

“A mãe veio no lugar do entrevistado, trazendo o currículo. ‘Meu filho está gripado. Pode perguntar o que quiser que eu respondo.’ O processo seletivo terminou ali.” Jaqueline Silveira Mascarenhas

“O perfume da candidata era tão forte que nosso entrevistador teve de deixar a porta aberta” Ana Sílvia Sanseverino

“Era uma dinâmica de grupo para uma empresa de telefonia. Na hora de falar, o candidato trocou o nome da empresa pelo da concorrente.” Jorge Matos

“É comum namorados e maridos que acompanham as companheiras para a entrevista, avaliam o lugar de cima a baixo, checam o chefe, o ambiente e possíveis riscos que ela possa correr. Em grande capitais, isso pesa negativamente. Espera-se que haja um mínimo de independência em um profissional.” Roberto Caldeira

Dispensado, demitido

“Se você começa a ser excluído de decisões, trabalhos e reuniões, é porque está sendo ‘fritado’. E o terrível é que, quando o processo de fritura começa, já não há muito a fazer. Você está prestes a ser demitido.” Edson Rodriguez

“Quando uma empresa não está disposta a ouvir o feedback, você só estará comprando briga. Se está disposto, vá em frente. Mas antes decida se quer brigar ou não.” Jorge Matos

Nós desconfiamos de você, você desconfia de nós

“Há pessoas que usam o e-mail para buscar outro emprego ou passar informações. E-mail é ferramenta da empresa, e ela vai acompanhar como ele é usado. Legalmente, a empresa pode adotar esse procedimento.” Jaqueline Silveira Mascarenhas

“Faltas por doença seguem uma média. Aqueles que exageram e reincidem nas faltas acabam levantando suspeitas. Neste caso, a empresa pode solicitar exames em um médico de confiança ou ligar para o médico para verificar se o atestado é verdadeiro.” Roberto Caldeira

Detalhes sujos

“Nas entrevistas para uma empresa em que já trabalhei, notamos que alguns candidatos tinham problemas com a higiene pessoal. Optamos por dar um kit com pente, sabonete, escova de dentes e desodorante. Foi uma forma de dizer as normas da empresa.” Jaqueline Silveira Mascarenhas

“A falta de comunicação assertiva gera desentendimentos. Um funcionário antigo com excesso de trabalho fica zangado porque um funcionário novo não oferece ajuda. O funcionário novo fica aborrecido porque acha que o antigo não confia nele pois, mesmo sobrecarregado, não pede ajuda.” Roberto Caldeira

Bla, bla, bla

“Se a empresa pede ao funcionário para viajar e ele não aceita, isso pode significar o fim do emprego. É melhor ativar sua rede de contatos depois disso.” Roni Chittoni

“Quando os funcionários são convocados para um dia ou um fim de semana de treinamento, à ‘boca miúda’ se escuta: ‘De novo?’, ‘É tudo a mesma coisa’. Os comentários ocorrem porque as empresas não modernizam os treinamentos.” Eugênio S. Queiroz, no site rh.com.br

Fonte: Revista Seleções – Agosto de 2011

26/08/2010 07h00 - Atualizado em 26/08/2010 10h53

Nível de conhecimento de idioma está entre as mais comuns.
Candidato com informação falsa é eliminado da seleção na hora.

Gabriela GasparinDo G1, em São Paulo

A maioria das mentiras que os candidatos colocam no currículo pode ser descoberta pelos selecionadores durante a entrevista de emprego, dizem especialistas. Os recrutadores lançam mão de estratégias de recursos humanos para desmascarar falsos dados e garantem que, quando pegos, os mentirosos são eliminados imediatamente, já que não transmitem confiança.

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Entre as principais mentiras colocadas no currículo estão aumentar o nível de conhecimento de um idioma estrangeiro, colocar uma formação acadêmica incompleta como concluída, mudar as características pessoais por meio de autoelogios, aumentar o tempo de permanência em uma empresa ou cargo e até trocar o motivo da saída do emprego anterior. Há também candidatos que mudam a pretensão salarial ou o último salário para tentar adequá-lo ao que acham que o empregador poderá pagar. A idade, o estado civil e até o endereço podem ser forjados, pois candidatos querem parecer morar mais perto da empresa para aumentar as chances.

"Entrevista por competências"
Para grande parte dessas alterações os especialistas da área de recursos humanos têm uma forma de pegar o candidato no flagra. Uma delas é a chamada entrevista por competências, diz Matilde Berna, diretora de transição e gestão de carreiras da Right Management.

Nessa forma de entrevista, o selecionador pergunta ao candidato sobre situações reais vividas por ele para saber como agiu em determinadas situações. Com isso, é possível descobrir detalhes de cargos anteriores ou até mesmo características pessoais do profissional, explica Matilde.

“O candidato que não passou por determinadas situações vai falar de forma genérica, sem dar detalhes”, afirma Renato Grinberg, diretor da Trabalhando.com.br.

Matilde destaca que há outra forma de entrevista, a investigativa. Nessa modalidade, o selecionador pede ao candidato que conte como agiria em situações hipotéticas, o que ajuda a descobrir as características pessoais de cada um.

O candidato que mentiu (sobre idioma) encontra uma desculpa antes de começar a falar"

Matilde Berna, especialista em  gestão de carreiras

A vice-presidente da Catho Consultoria em RH, Silvana Case, revela que é possível ainda fazer perguntas-chave ao candidato sobre seu passado. Para saber se uma formação acadêmica é verdadeira, por exemplo, é possível pedir que o entrevistado cite a disciplina preferida, o nome de um bom professor ou até mesmo o ano e a turma da formatura. “A pessoa que não sabe, trava, demora para responder, a não ser que ela seja muito bem treinada”, diz.

Os selecionadores podem, ainda, fazer alguma ação real durante a entrevista, como pedir para mudar de sala, com o intuito de testar a reação do candidato e ver se ele age como diz ser. Por exemplo, um candidato que afirma ser flexível não faria ressalvas em mudar de sala; um mais resistente, poderia questionar o motivo.

Silvana diz que o nível de idioma é um dos mais fáceis de serem testados, por meio de uma conversa com o candidato na qual são avaliados os conhecimentos da outra língua. “Mesmo quando o selecionador não conhece o idioma, ele pode pedir para o candidato falar um pouco na outra língua sem avisar que não sabe. Quem mentiu encontra alguma desculpa antes de começar a falar.”

Após a entrevista
Mesmo quando os candidatos conseguem enganar o selecionador durante a entrevista, as empresas podem tirar dúvidas por meio de outras práticas. O tempo na empresa, cargo e salário, por exemplo, podem ser checados na própria carteira de trabalho ou até mesmo por meio de um telefonema ao antigo empregador. A ligação também consegue sanar a dúvida do motivo da saída do emprego anterior. É possível, ainda, verificar nas universidades se determinados candidatos de fato concluíram os cursos mencionados. Além disso, documentos pessoais podem desmentir questões como idade, estado civil e endereço. Mesmo assim, um candidato pode conseguir passar pela seleção sem ser pego com informação falsa. É difícil saber, por exemplo, se determinada pessoa que diz ser solteira vive ou não com alguém. Nesse caso, as mentiras podem vir à tona após a contratação do empregado e, dependendo da situação, podem causar demissão, dizem os especialistas.

Mentir é pior
Profissionais de RH afirmam que a mentira no processo seletivo é fator de eliminação assim que descoberta.

“A confiança é a base de qualquer relação, inclusive a profissional”

Walquiria Ferreira, consultora de recursos humanos

Grinberg, da Trabalhando.com.br, revela que já deixou de escolher uma candidata por conta de uma mentira. No caso, a mulher aumentou o cargo que ocupava na empresa anterior. Ao telefonar para a empresa para confirmar a informação, o especialista disse ter sido surpreendido com a verdade. “Ela seria escolhida caso não tivesse mentido, mas não dá para relevar um fator como esse”, diz. A consultora da Luandre Soluções em Recursos Humanos, Walquiria Ferreira, diz que medos e inseguranças são os fatores que fazem alguns profissionais optarem pela mentira, até mesmo como um mecanismo de proteção. “No ambiente corporativo, a mentira tornou-se algo freqüente. O profissionais a utilizam como meio de autopromoção, mas não pensam que a descoberta trará consequências mais cedo ou mais tarde”, argumenta.

Por isso, Walquiria sugere que sempre seja dita a verdade. “A confiança é a base de qualquer relação, inclusive a profissional”.

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